Ao amor que não procuro, dedico minha eterna obsessão.
Ao outro, o meu encontro.
terça-feira, 28 de maio de 2013
quinta-feira, 2 de maio de 2013
[pre]para[ação]
Se agora quero teu beijo
Foi porque admiraste-me os lábios
Se nada diz ao meu querer
É porque fizeste apressado
Foi porque admiraste-me os lábios
Se nada diz ao meu querer
É porque fizeste apressado
segunda-feira, 18 de março de 2013
The Inner Light
Estou sem comer desde que acordei. Talvez isso explique as mãos trêmulas e a autopiedade. Mas não o sacrifício (se é que há).
Desconheço a necessidade, mas peço licença.
Antropocentrismo a caminho.
Tem como eu ser a minha religião?
A minha religião é o que eu faço com o que deixo de fazer.
Chove, e a minha religião se molha.
No que concerne ao que a minha memória pode me oferecer, sempre acreditei que a minha religião fosse tudo aquilo em que eu acreditasse e experienciasse em vida.
-meu coração de menina me dizia para obedecer mamãe papai vovós e seguir o treinamento espiritual proporcionado pela tradição - contudo sempre carregando ao peito o mais sagrado e valioso amuleto protetor: o ponto de interrogação-
A minha espiritualidade é terrena e eu só soube que isso era possível quando foi isso que eu senti.
Eu acredito no que atravessa o tempo e permanece fazendo algum sentido.
[As pessoas nunca vão parar de escrever para que as próximas pessoas compreendam que porra é essa que acontece agora e comecem a escrever sobre o seu tempo para que venham os próximos leitores] - esse é um dogma da minha religião. Não conheço outros.
A minha religião surgiu em 1989. Porém, graças ao advento da tecnologia e à educação privada, busca inspiração e apropria-se de fundamentos históricos, e constantemente renova o seu código.
Não possui espaço físico fixo, muito menos angaria fundos - ela é o próprio fundo de buraco nenhum.
Seu sacerdócio sequer imagina fazer parte da minha religião e provavelmente nem religião alguns tenham.
Mas já pode até guardar esse sorriso quimérico; a minha religião também é corrupta. Ela ocasionalmente me trai e decepciona. Só não alicia fiéis porque não confia neles e detesta saber que a popularidade desencadeia na soberania doentia e no etnocentrismo.
Acredite, ela é só mais uma; basta olhar em volta.
A minha religião é um epítome da arte na vida.
Agora posso jantar.
Desconheço a necessidade, mas peço licença.
Antropocentrismo a caminho.
Tem como eu ser a minha religião?
A minha religião é o que eu faço com o que deixo de fazer.
Chove, e a minha religião se molha.
No que concerne ao que a minha memória pode me oferecer, sempre acreditei que a minha religião fosse tudo aquilo em que eu acreditasse e experienciasse em vida.
-meu coração de menina me dizia para obedecer mamãe papai vovós e seguir o treinamento espiritual proporcionado pela tradição - contudo sempre carregando ao peito o mais sagrado e valioso amuleto protetor: o ponto de interrogação-
A minha espiritualidade é terrena e eu só soube que isso era possível quando foi isso que eu senti.
Eu acredito no que atravessa o tempo e permanece fazendo algum sentido.
[As pessoas nunca vão parar de escrever para que as próximas pessoas compreendam que porra é essa que acontece agora e comecem a escrever sobre o seu tempo para que venham os próximos leitores] - esse é um dogma da minha religião. Não conheço outros.
A minha religião surgiu em 1989. Porém, graças ao advento da tecnologia e à educação privada, busca inspiração e apropria-se de fundamentos históricos, e constantemente renova o seu código.
Não possui espaço físico fixo, muito menos angaria fundos - ela é o próprio fundo de buraco nenhum.
Seu sacerdócio sequer imagina fazer parte da minha religião e provavelmente nem religião alguns tenham.
Mas já pode até guardar esse sorriso quimérico; a minha religião também é corrupta. Ela ocasionalmente me trai e decepciona. Só não alicia fiéis porque não confia neles e detesta saber que a popularidade desencadeia na soberania doentia e no etnocentrismo.
Acredite, ela é só mais uma; basta olhar em volta.
A minha religião é um epítome da arte na vida.
Agora posso jantar.
em relação a:
com textos,
estado de espírito,
freak le bumbum
sexta-feira, 8 de março de 2013
Sobre Qualquer Clausura Voluntária
Quando criança, eu me escondia atrás das pernas da minha mãe.
A minha mãe que é linda e vaidosa. Ficava observando a vida e as pessoas por detrás daquela barreira humana, me protegia dos olhares alheios ao mesmo tempo em que os buscava desesperadamente e era como um teste, uma experiência: quando é que algum desses olhares perdidos encontraria o meu?
Aquele era o meu lugar. Aquele me parecia o esconderijo mais óbvio, e ainda assim ninguém me encontrava.
Eu vi o que as pessoas faziam, testemunhei posturas, ações, atitudes, erros (eu buscava muito pelos "erros"), e me punha no lugar de cada personagem observado. Vibrava ao constatar que eu faria melhor. Invejava os que eu sabia que eram melhores e mais admiráveis do que eu, e admirava. Eu, por minha vez, quanto a mim, bem, eu, eu nunca fazia nada.
Como saber das minhas fraquezas, potenciais e capacidades através tão somente dos meus próprios olhos? Como saber que eu poderia ocupar aquele outro lugar sem que tivesse saído de onde estava? Sem ainda ter me livrado da barra da saia de mamãe?
E no entanto não admito que alguém, do contrário, ocupe esse lugar na minha vida. E não cabe a mim discorrer sobre o que era para a minha mãe ter esse lugar ocupado por mim.
Após uma adolescência, um amontoado de anos de revoltas e reviravoltas e revivals e remixes, claramente a repetição insiste e, para que permanecesse, sofreu adaptações. Não é isso o que dizem ser evolução? Continuo a ocupar traseiras de pernas e barras de saia. Pobres dos meus amigos.
Não me mostro totalmente (não quero revelar o que ainda não me foi revelado completamente) e não sou inteira se não tenho meu óbvio esconderijo por perto. Meus olhos procuram, ainda atônitos e dissimuladamente desesperados, por modelos de erros e acertos para que eu nunca perca, caso queira sair à revelia.
Meus olhos buscam por aquilo que eu acredito que ninguém vê. Há quem queira batizar isso de 'mistérios da noite' (no caso, eu). Que rosto há por trás daquela barba? O que ronda pelo interior daquele crânio revestido por esse longo cobertor capilar? O que temem esses olhos perdidos e obscurecidos pelo canto mais mal-iluminado da festa? Canto esse que também pode ser o esconderijo mais óbvio.
Meus olhos querem perceber as pernas que tampam esses sujeitos. Talvez eu queira ser a barra de saia que eles precisam; eu sei acobertar um grande potencial. Eu quero reconhecer o promissor.
Mas eu nunca fiz nada. E estou eu mesma acobertada por uma série de pernas, cabelos, barbas, olhos e saias e obscuridades.
Quando criança, numa festinha de aniversário da minha prima, um coleguinha dela levantou abruptamente a saia do meu vestido no meio do salão. Instintivamente eu o empurrei com tamanha brutalidade que o garoto caiu sentado e foi deslizando e derrubando as mesas e cadeiras de plástico em seu trajeto. Strike. Saí correndo para chorar no meu cantinho, lá atrás das pernas da minha mãe. Chorei de vergonha.
Pensei no ocorrido e constatei que pouquíssimas pessoas teriam visto a minha calcinha; porém, a festa toda parou para ver o estrago que eu fizera com o garoto e com a configuração do salão. Fechei os olhos e a vergonha se multiplicou inimaginavelmente, e me pus a chorar ainda mais forte e mais doído.
Há cerca de dois anos, numa viagem com a minha Cia., estávamos todos caminhando quando um dos meus companheiros subitamente levantou, mais uma vez, a saia do meu vestido ao atravessarmos a rua no centro da cidade.
Não fechei os olhos, não chorei, não empurrei ninguém, e minha reação foi uma previsível histeria raivosa que arrancou risos também histéricos dos meus colegas. Engoli o ódio, mas este entalou no meio da traqueia; fechei a cara (não os olhos) e pensei, pensei muito nos estragos que eu poderia causar. Não fiz nada.
Pelo visto, não estou protegida nem mesmo por debaixo da minha própria saia.
As barbas que momentaneamente possuo me ralam o rosto e me machucam com a aspereza.
Os olhos perdidos nunca me encontram até que eu pare de procurá-los com os meus.
Estou do outro lado do oceano e não tenho um esconderijo menor que esse apartamento, essa cidade e esse país.
Hoje me olho demasiadamente no espelho.
Não vejo pernas.
A minha mãe que é linda e vaidosa. Ficava observando a vida e as pessoas por detrás daquela barreira humana, me protegia dos olhares alheios ao mesmo tempo em que os buscava desesperadamente e era como um teste, uma experiência: quando é que algum desses olhares perdidos encontraria o meu?
Aquele era o meu lugar. Aquele me parecia o esconderijo mais óbvio, e ainda assim ninguém me encontrava.
Eu vi o que as pessoas faziam, testemunhei posturas, ações, atitudes, erros (eu buscava muito pelos "erros"), e me punha no lugar de cada personagem observado. Vibrava ao constatar que eu faria melhor. Invejava os que eu sabia que eram melhores e mais admiráveis do que eu, e admirava. Eu, por minha vez, quanto a mim, bem, eu, eu nunca fazia nada.
Como saber das minhas fraquezas, potenciais e capacidades através tão somente dos meus próprios olhos? Como saber que eu poderia ocupar aquele outro lugar sem que tivesse saído de onde estava? Sem ainda ter me livrado da barra da saia de mamãe?
E no entanto não admito que alguém, do contrário, ocupe esse lugar na minha vida. E não cabe a mim discorrer sobre o que era para a minha mãe ter esse lugar ocupado por mim.
Após uma adolescência, um amontoado de anos de revoltas e reviravoltas e revivals e remixes, claramente a repetição insiste e, para que permanecesse, sofreu adaptações. Não é isso o que dizem ser evolução? Continuo a ocupar traseiras de pernas e barras de saia. Pobres dos meus amigos.
Não me mostro totalmente (não quero revelar o que ainda não me foi revelado completamente) e não sou inteira se não tenho meu óbvio esconderijo por perto. Meus olhos procuram, ainda atônitos e dissimuladamente desesperados, por modelos de erros e acertos para que eu nunca perca, caso queira sair à revelia.
Meus olhos buscam por aquilo que eu acredito que ninguém vê. Há quem queira batizar isso de 'mistérios da noite' (no caso, eu). Que rosto há por trás daquela barba? O que ronda pelo interior daquele crânio revestido por esse longo cobertor capilar? O que temem esses olhos perdidos e obscurecidos pelo canto mais mal-iluminado da festa? Canto esse que também pode ser o esconderijo mais óbvio.
Meus olhos querem perceber as pernas que tampam esses sujeitos. Talvez eu queira ser a barra de saia que eles precisam; eu sei acobertar um grande potencial. Eu quero reconhecer o promissor.
Mas eu nunca fiz nada. E estou eu mesma acobertada por uma série de pernas, cabelos, barbas, olhos e saias e obscuridades.
Quando criança, numa festinha de aniversário da minha prima, um coleguinha dela levantou abruptamente a saia do meu vestido no meio do salão. Instintivamente eu o empurrei com tamanha brutalidade que o garoto caiu sentado e foi deslizando e derrubando as mesas e cadeiras de plástico em seu trajeto. Strike. Saí correndo para chorar no meu cantinho, lá atrás das pernas da minha mãe. Chorei de vergonha.
Pensei no ocorrido e constatei que pouquíssimas pessoas teriam visto a minha calcinha; porém, a festa toda parou para ver o estrago que eu fizera com o garoto e com a configuração do salão. Fechei os olhos e a vergonha se multiplicou inimaginavelmente, e me pus a chorar ainda mais forte e mais doído.
Há cerca de dois anos, numa viagem com a minha Cia., estávamos todos caminhando quando um dos meus companheiros subitamente levantou, mais uma vez, a saia do meu vestido ao atravessarmos a rua no centro da cidade.
Não fechei os olhos, não chorei, não empurrei ninguém, e minha reação foi uma previsível histeria raivosa que arrancou risos também histéricos dos meus colegas. Engoli o ódio, mas este entalou no meio da traqueia; fechei a cara (não os olhos) e pensei, pensei muito nos estragos que eu poderia causar. Não fiz nada.
Pelo visto, não estou protegida nem mesmo por debaixo da minha própria saia.
As barbas que momentaneamente possuo me ralam o rosto e me machucam com a aspereza.
Os olhos perdidos nunca me encontram até que eu pare de procurá-los com os meus.
Estou do outro lado do oceano e não tenho um esconderijo menor que esse apartamento, essa cidade e esse país.
Hoje me olho demasiadamente no espelho.
Não vejo pernas.
em relação a:
com textos,
estado de espírito,
exorcismo,
saleta do doutor jung,
tsunami
quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013
How It Would Be If It Was
You: How do you feel?
Me: Feel what? What am I supposed to feel?
You: You're alive, dear. You're expected to feel something, at least.
Me: Right. So what do you feel?
You: That wasn't my question.
Me: But it's mine.
You: You'll never tell me, will you?
Me: Never is a promise.
You: I feel I'm in love with you.
Me: I'm not feeling too bad.
Me: Feel what? What am I supposed to feel?
You: You're alive, dear. You're expected to feel something, at least.
Me: Right. So what do you feel?
You: That wasn't my question.
Me: But it's mine.
You: You'll never tell me, will you?
Me: Never is a promise.
You: I feel I'm in love with you.
Me: I'm not feeling too bad.
em relação a:
exorcismo,
machado e sândalo,
queijo e goiabada
domingo, 2 de dezembro de 2012
Unresisting to a White Page and some Black Ink
Among this wide range of such intimate secrets
I lie.
Guess how.
And long for a kiss from a nearly strange in such intimate ways:
never touching for a whole day
never fought about a real thing
never met a single relative
never took care of your migraine -
I just seem to feed it instead;
just seem to feed the distance.
(I) just seem to know you by far.
Can you guess how I lie now?
I lie coldly without you.
(and yet that's not the answer)
So long -
not for long.
I lie.
Guess how.
And long for a kiss from a nearly strange in such intimate ways:
never touching for a whole day
never fought about a real thing
never met a single relative
never took care of your migraine -
I just seem to feed it instead;
just seem to feed the distance.
(I) just seem to know you by far.
Can you guess how I lie now?
I lie coldly without you.
(and yet that's not the answer)
So long -
not for long.
segunda-feira, 4 de junho de 2012
QUASECONTO INACABADO (1º de muitos)
Na sala, naquela mesma sala instável, depósito de amplificadores e preguiças, entraram os quatro rindo muito, mãos dadas com a noite. Começava ali no cômodo quadrilátero uma dinâmica naturalmente rítmica; um quatro-por-quatro - compasso óbvio, mas unicamente rico e versátil - (e) Um (e) dois (e) três (e) quatro.
(e) Uma. (e) Aquela. (e) Aquele. (e) Ela. Uma está sentada num sofá e opina, Aquela se levanta e contrargumenta o que diz Aquele, que dedilha alguma coisa no violão, e Ela, que está ao seu lado, toma o violão d’Aquele e não toca alto.
A Gorda parecia bem. Tremia um pouco com o frio, mas recebera aos quatro carinhosamente e suportou os abraços e apertões.
A casa soava como uma festa bem melhor do que aquela à qual iriam mais tarde. O quarteto parecia se multiplicar com o entusiasmo que vinha simplesmente daquela união e da vontade de viver uma noite menos ordinária. Aquele sentia-se acariciado pelos sorrisos e gargalhadas das três, que, já numa alegria ébria, se queixavam do frio envoltas por uma elegância quase desconhecida, e ouviam as queixas d’Aquele como suas falsas irmãs. Seus pensamentos, porém, voavam pela janela e vazavam para fora em lugares totalmente distintos. Como sempre. Não que aquele encontro estivesse longe de ser real; é que sempre existe a possibilidade de um outro. Naquela mesma sala instável.
Ela, que sempre pareceu mais distante, estava próxima do momento presente tentando recolher seus pensamentos defenestrados para dentro da sala. Acabou puxando-os com tanta força que eles atravessaram a sala, o corredor, e caíram na desordem do quarto do fundo. O tempo ficara monossilábico como suas próprias frases.
Num repente, Ela o pressentiu tactilmente, sabia que Ele viria e que o veria e então perdeu parte de sua naturalidade. Como sempre. Seus pensamentos correm, atônitos, do quarto ao portão.
Ela se cala em protesto à chegada d’Ele. E, independente de qualquer crença ou ausência de uma, Ele sobrenaturalmente entra naquela mesma sala, Ele, a passos silenciosos, tal qual uma aparição branca, branca e magra, oh sim, ali estava Ele. De olhos vagos, Ele chega numa aflição quase maior que o disfarce que Ela usava para cobrir o brilho nos olhos.
Naquele momento, naquela mesma sala, três pessoas mais a Gorda assistiam ao desencontro, ao desconforto, ao descompasso de duas respirações. Visto do lado de fora da janela, aquilo tudo era minúsculo. Como sempre.
Dois pares de olhos que se misturavam a meia dúzia de palavras insignificantes.
Como pôde o rosto d’Ele roubar temperaturas e gerar falsas tempestades?
(e) Pisa, contratempo, preparou e... Pena que não houve dança.
terça-feira, 22 de maio de 2012
Eu queria demais lembrar quem era esse sujeito.
PROCURA-SE
aquele novo sorriso de dedos ágeis
afagáveis,
os olhinhos apertados de pouca barba,
a magreza simpática de cabelos em desordem.
não faço por inteiro
não obtenho o todo
optei involuntariamente pela caça às migalhas
pelas meias-palavras
por cabeças sem pés.
e se eu os posso completar
cabe ao meio saber.
06/10/2010
aquele novo sorriso de dedos ágeis
afagáveis,
os olhinhos apertados de pouca barba,
a magreza simpática de cabelos em desordem.
não faço por inteiro
não obtenho o todo
optei involuntariamente pela caça às migalhas
pelas meias-palavras
por cabeças sem pés.
e se eu os posso completar
cabe ao meio saber.
06/10/2010
em relação a:
burrica,
descartáveis,
exorcismo,
machado e sândalo
segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012
segunda-feira, 23 de janeiro de 2012
terça-feira, 15 de março de 2011
Plano B
Som de festa. A garota estava sentada no banquinho próximo à roseira branca. Sozinha. O menino, ansioso, ensaiava cada passo da dança num canto escondido, que se não fosse por uma fresta não conseguiria observar a bela garota. Ele ajeitou o paletó num movimento de dedos, como se cada um dançasse com o tecido alugado que compunha sua vestimenta. Lentamente ele esfregou os punhos no pescoço, já premeditando o aroma, e os levou até o nariz; queria certificar-se de que ainda perdurava o cheiro exótico do perfume que roubara do irmão mais velho.
Estava tudo pronto para o grande momento. O cenário era perfeito! A brancura da roseira refletia na rosada pele da garota, formando uma cartela de tons que variava do mais doce branco ao mais puro rosa. Ninguém estava por perto para impedir seu ato mais corajoso. Só lhe faltava um argumento, algo que servisse de subterfúgio para justificar a sua aproximação, para depois convidá-la para a dança que ensaiara a tarde toda. Então aparece a solução do modo mais surpreendente: durante todo o tempo que ensaiara não havia observado o arranjo de rosas vermelhas que estava em cima do aparador. Era a desculpa mais eficaz que poderia utilizar - uma rosa vermelha para a rosada garota da roseira branca.
Retirou a rosa do singelo vasinho e a levou para as costas, encontrando-se com seu outro braço; suas mãos abraçavam a vermelhidão que se exibia na flor. À medida que se aproximava da garota, suas mãos apertavam o pedúnculo da rosa causando uma trepidação nas pétalas aveludadas. Não conseguia segurar o coração pulsando na boca, a falta da saliva, as pequenas gotículas de suor que se escorria do canto esquerdo da testa até suas orelhas. Era seu primeiro ato de coragem.
Ao parar em frente à garota se satisfez alegremente; era a primeira vez que chegava tão longe. A garota, que limpava a poeira da barra do vestido escolhido pela mãe, olhou numa diagonal para os olhos do menino que de cima revelou um pequeno sorriso apertado dos olhos protegidos pelas lentes dos óculos. É chegada a hora de tomar partido! A garota verticalizou sua coluna e com a sobrancelha demonstrou expectativa sobre a presença do menino. Este aos poucos desfez o abraço das mãos e com o braço direito trouxe próximo ao peito a rosa. Ao posicionar a flor no sentido de sua fronte, gerando uma perspectiva entre a rosa e a garota, o menino se encantou. O forte vermelho das pétalas tingiram de sangue sua mão e dos seus dedos crispados no pedúnculo pingava em gotas de sangue toda a emoção que guardara na expectativa.
A garota horrorizada olhou para cena que não esperava. O insólito momento quebrou a verticalização que construíra, e ao olhar para o menino, proferiu apenas uma palavra:
- Sangue!
Em seguida, caiu no gramado próximo a roseira branca. Toda a festa, como formigas atraídas pelo açúcar novo, foi de imediato verificar o ocorrido. O menino não ouvia mais nada, voltou para o mesmo canto que viera e pela mesma fresta assistia o socorro da garota, e a única coisa que pensava era:
- Da próxima vez usarei luvas!
Estava tudo pronto para o grande momento. O cenário era perfeito! A brancura da roseira refletia na rosada pele da garota, formando uma cartela de tons que variava do mais doce branco ao mais puro rosa. Ninguém estava por perto para impedir seu ato mais corajoso. Só lhe faltava um argumento, algo que servisse de subterfúgio para justificar a sua aproximação, para depois convidá-la para a dança que ensaiara a tarde toda. Então aparece a solução do modo mais surpreendente: durante todo o tempo que ensaiara não havia observado o arranjo de rosas vermelhas que estava em cima do aparador. Era a desculpa mais eficaz que poderia utilizar - uma rosa vermelha para a rosada garota da roseira branca.
Retirou a rosa do singelo vasinho e a levou para as costas, encontrando-se com seu outro braço; suas mãos abraçavam a vermelhidão que se exibia na flor. À medida que se aproximava da garota, suas mãos apertavam o pedúnculo da rosa causando uma trepidação nas pétalas aveludadas. Não conseguia segurar o coração pulsando na boca, a falta da saliva, as pequenas gotículas de suor que se escorria do canto esquerdo da testa até suas orelhas. Era seu primeiro ato de coragem.
Ao parar em frente à garota se satisfez alegremente; era a primeira vez que chegava tão longe. A garota, que limpava a poeira da barra do vestido escolhido pela mãe, olhou numa diagonal para os olhos do menino que de cima revelou um pequeno sorriso apertado dos olhos protegidos pelas lentes dos óculos. É chegada a hora de tomar partido! A garota verticalizou sua coluna e com a sobrancelha demonstrou expectativa sobre a presença do menino. Este aos poucos desfez o abraço das mãos e com o braço direito trouxe próximo ao peito a rosa. Ao posicionar a flor no sentido de sua fronte, gerando uma perspectiva entre a rosa e a garota, o menino se encantou. O forte vermelho das pétalas tingiram de sangue sua mão e dos seus dedos crispados no pedúnculo pingava em gotas de sangue toda a emoção que guardara na expectativa.
A garota horrorizada olhou para cena que não esperava. O insólito momento quebrou a verticalização que construíra, e ao olhar para o menino, proferiu apenas uma palavra:
- Sangue!
Em seguida, caiu no gramado próximo a roseira branca. Toda a festa, como formigas atraídas pelo açúcar novo, foi de imediato verificar o ocorrido. O menino não ouvia mais nada, voltou para o mesmo canto que viera e pela mesma fresta assistia o socorro da garota, e a única coisa que pensava era:
- Da próxima vez usarei luvas!
sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011
OH MY GOD!
Toda vez que passo por aqui, fico chateada.
Tá faltando inspiração? Bom, no meu caso, SIM, ESTÁ. Não consigo escrever nada pra postar aqui, embora minha cabeça esteja transbordando de ideias. Mas o lance é que são ideias que eu não quero apresentar pro mundo virtual. Tá vendo? O problema todo tá nisso...Minha birra com essa virtualidade está aumentando a cada dia. Tudo é muito chato.
Primeiro porque pessoas que eu nem conheço podem ler o que eu escrevo. Não me venham com xurumelas do tipo: "ué, mas por que vc tem um blog então?", afinal não é essa a questão. Dá pra ter um blog privado, certo? Essa é uma alternativa que ando cogitando, mas que mesmo assim não me motiva.
A parada é a seguinte: não gosto de computador. Claro que eu sei da importância que ele tem e blá, blá, blá, mas se eu pudesse, me livraria (uau!) agora mesmo. Por incrível que pareça, continuo fazendo todos os meus trabalhos à mão e só passo pro Word porque tenho que enviar para as pessoas rapidamente e porque minha letra não ajuda muito, rsrs (mas juro que capricharia se pudesse entregar à caneta). Também não vou negar as maravilhas que a internet oferece pra humanidade, até porque muitas pessoas que eu amo estão longe e porque não tenho dinheiro suficiente pra ter todos os livros e cds que eu quero, nem pra gastar com telefone e muito menos pra viajar. Fora isso, hoje em dia, não se fala em pesquisa sem falar em internet.
Bom, o que faço diante disso, já que meu bode é com o computador? Descubro, cada vez mais, que não tenho mais paciência com essa máquina. Juro que me esforço, mas não consigo manter uma boa relação.
De agora em diante, vou usar o computador para fins muito importantes.Não vou abandonar o blog, jamais, mas é só um tempo pra deixar de lado essa tela chatinha e ver se é só uma crise passageira, rsrs. Se quiserem deixar o telefone ou endereço, posso mandar cartas ou marcar uma cervejinha ou um café.
Tá faltando inspiração? Bom, no meu caso, SIM, ESTÁ. Não consigo escrever nada pra postar aqui, embora minha cabeça esteja transbordando de ideias. Mas o lance é que são ideias que eu não quero apresentar pro mundo virtual. Tá vendo? O problema todo tá nisso...Minha birra com essa virtualidade está aumentando a cada dia. Tudo é muito chato.
Primeiro porque pessoas que eu nem conheço podem ler o que eu escrevo. Não me venham com xurumelas do tipo: "ué, mas por que vc tem um blog então?", afinal não é essa a questão. Dá pra ter um blog privado, certo? Essa é uma alternativa que ando cogitando, mas que mesmo assim não me motiva.
A parada é a seguinte: não gosto de computador. Claro que eu sei da importância que ele tem e blá, blá, blá, mas se eu pudesse, me livraria (uau!) agora mesmo. Por incrível que pareça, continuo fazendo todos os meus trabalhos à mão e só passo pro Word porque tenho que enviar para as pessoas rapidamente e porque minha letra não ajuda muito, rsrs (mas juro que capricharia se pudesse entregar à caneta). Também não vou negar as maravilhas que a internet oferece pra humanidade, até porque muitas pessoas que eu amo estão longe e porque não tenho dinheiro suficiente pra ter todos os livros e cds que eu quero, nem pra gastar com telefone e muito menos pra viajar. Fora isso, hoje em dia, não se fala em pesquisa sem falar em internet.
Bom, o que faço diante disso, já que meu bode é com o computador? Descubro, cada vez mais, que não tenho mais paciência com essa máquina. Juro que me esforço, mas não consigo manter uma boa relação.
De agora em diante, vou usar o computador para fins muito importantes.Não vou abandonar o blog, jamais, mas é só um tempo pra deixar de lado essa tela chatinha e ver se é só uma crise passageira, rsrs. Se quiserem deixar o telefone ou endereço, posso mandar cartas ou marcar uma cervejinha ou um café.
terça-feira, 21 de dezembro de 2010
domingo, 14 de novembro de 2010
Um pouco do que penso atualmente quando penso em arte.
A vida deve obedecer a duas necessidades que, por serem opostas entre si, não lhe permitem nem se fixar duradoramente nem se mover sempre. Se a vida se movesse sempre, não se fixaria nunca - se se fixasse para sempre, não se moveria mais. E é preciso que a vida se fixe e se mova.
O poeta se ilude quando crê ter encontrado a libertação e atingido a quietude, fixando para sempre numa forma imutável a sua obra de arte. Esta sua obra apenas acabou de viver. Não se têm a libertação e a quietude senão à custa do término do viver.
E todos os que as encontraram e atingiram ficam a tal ponto nessa miserável ilusão, que crêem estar ainda vivos, quando estão, ao invés, tão mortos que nem sequer percebem o fedor de seus próprios cadáveres.
Se uma obra de arte sobrevive, é só porque ainda podemos removê-la da da fixidez de sua forma; fundir essa sua forma dentro de nós em um movimento vital; e a vida, então, somos nós quem lha damos; a cada tempo diversa, e variando de um para o outro de nós; muitas vidas, e não uma só; como se pode deduzir das contínuas discussões que se fazem a respeito e que nascem do não querer acreditar justamente nisso - que somos nós que damos essa vida, e que de fato não é possível que a vida que eu dou seja igual àquela dada por um outro.
Pirandello - "Esta noite se representa de improviso"
O poeta se ilude quando crê ter encontrado a libertação e atingido a quietude, fixando para sempre numa forma imutável a sua obra de arte. Esta sua obra apenas acabou de viver. Não se têm a libertação e a quietude senão à custa do término do viver.
E todos os que as encontraram e atingiram ficam a tal ponto nessa miserável ilusão, que crêem estar ainda vivos, quando estão, ao invés, tão mortos que nem sequer percebem o fedor de seus próprios cadáveres.
Se uma obra de arte sobrevive, é só porque ainda podemos removê-la da da fixidez de sua forma; fundir essa sua forma dentro de nós em um movimento vital; e a vida, então, somos nós quem lha damos; a cada tempo diversa, e variando de um para o outro de nós; muitas vidas, e não uma só; como se pode deduzir das contínuas discussões que se fazem a respeito e que nascem do não querer acreditar justamente nisso - que somos nós que damos essa vida, e que de fato não é possível que a vida que eu dou seja igual àquela dada por um outro.
Pirandello - "Esta noite se representa de improviso"
quarta-feira, 27 de outubro de 2010
(ingenerável)
É o mesmo velho mundo, mas nada parece igual...
Minha voz pode alcançar o Oceano Índico e atravessar a nebulosidade de um vulcão! What I'd say...
Sempre que... Espere.
Minha cabeça não para de girar... O universo respira contra meus olhos, e meu coração provavelmente está em um de meus sapatos. Nas minhas mãos secas estão as paredes e portas do corredor - chamativo chão, fugitivas chaves.
Sempre andando, nunca querendo chegar, eu derreto
Pudera, depois de ter perseguido todos os carros da cidade em um sábado desalmado, desbravei fantasmagoricamente mais de cento e vinte e quantos peitos, mas quem se arrisca num sábado desalmado tem o corpo fechado, inclusive eu, inclusive os vasos sanitários que se tornam velhos confidentes, inclusive os suportadores saltos altos, ah se eu pusesse as mãos neles, mas agora elas seguram paredes e portas, mas nunca maçanetas.
O universo respira em círculos desde quando resolvi guardar meu coração onde ninguém pudesse pisá-lo a não ser eu. E me pergunto se algum dia poderei sair desse transatlântico onde os lençóis são tão amarelos e oitentistas e o carpete cheira a soco inglês tão cinquentista e as pobres torneiras verdes tão setentistas... Ah, meu sofrimento... Tão... sessentista.
Bem, eu não preciso de ninguém, porque aprendi, eu aprendi a ficar só. E digo mais: não tenho culpa se os moinhos-de-vento e as retroescavadeiras acabam bravamente derrotados por mim...
Minha voz pode te deixar em carne viva! Viva a carne... A carne tão desalmada quanto um sábado. Um sábado desalmado onde cães e cuecas afiam as facas nos meus erros...
É o mesmo mundo igual, mas nada me parece velho oras aaaaaaaaaaaaaaaaaa
Tiro as paredes e portas das mãos para que caiba a minha cabeça giratória. Arranco o sapato do pé, respiro fundo, é agora, e digo: qualquer lugar em que eu puder encostar a cabeça eu vou chamar de casa.
Minha voz pode alcançar o Oceano Índico e atravessar a nebulosidade de um vulcão! What I'd say...
Sempre que... Espere.
Minha cabeça não para de girar... O universo respira contra meus olhos, e meu coração provavelmente está em um de meus sapatos. Nas minhas mãos secas estão as paredes e portas do corredor - chamativo chão, fugitivas chaves.
Sempre andando, nunca querendo chegar, eu derreto
Pudera, depois de ter perseguido todos os carros da cidade em um sábado desalmado, desbravei fantasmagoricamente mais de cento e vinte e quantos peitos, mas quem se arrisca num sábado desalmado tem o corpo fechado, inclusive eu, inclusive os vasos sanitários que se tornam velhos confidentes, inclusive os suportadores saltos altos, ah se eu pusesse as mãos neles, mas agora elas seguram paredes e portas, mas nunca maçanetas.
O universo respira em círculos desde quando resolvi guardar meu coração onde ninguém pudesse pisá-lo a não ser eu. E me pergunto se algum dia poderei sair desse transatlântico onde os lençóis são tão amarelos e oitentistas e o carpete cheira a soco inglês tão cinquentista e as pobres torneiras verdes tão setentistas... Ah, meu sofrimento... Tão... sessentista.
Bem, eu não preciso de ninguém, porque aprendi, eu aprendi a ficar só. E digo mais: não tenho culpa se os moinhos-de-vento e as retroescavadeiras acabam bravamente derrotados por mim...
Minha voz pode te deixar em carne viva! Viva a carne... A carne tão desalmada quanto um sábado. Um sábado desalmado onde cães e cuecas afiam as facas nos meus erros...
É o mesmo mundo igual, mas nada me parece velho oras aaaaaaaaaaaaaaaaaa
Tiro as paredes e portas das mãos para que caiba a minha cabeça giratória. Arranco o sapato do pé, respiro fundo, é agora, e digo: qualquer lugar em que eu puder encostar a cabeça eu vou chamar de casa.
em relação a:
exorcismo,
ferro e fogo,
pedradas,
queijo e goiabada,
tsunami
quarta-feira, 6 de outubro de 2010
Vício (um dos).
Macarrão (talharim)
Manteiga
Cebola
Alho
Queijo ralado
Refogue a cebola e o alho na manteiga (coloque uma boa quantidade de manteiga). Quando o macarrão estiver pronto, misture-o com o refogado e acrescente queijo relado.
E viva o macarrão na manteiga!
Manteiga
Cebola
Alho
Queijo ralado
Refogue a cebola e o alho na manteiga (coloque uma boa quantidade de manteiga). Quando o macarrão estiver pronto, misture-o com o refogado e acrescente queijo relado.
E viva o macarrão na manteiga!
terça-feira, 21 de setembro de 2010
Sigo nessa dança.
O que faz de um tango um tango não são as letras lamuriosas. O que faz de um tango um tango não é Gardel morto que canta cada vez melhor. O que faz de um tango um tango não são os passos ensaiados na tradição. O que faz de um tango um tango não é a orquestra com o ar cansado de quem tudo já viu. O que faz de um tango um tango não são as pernas altas da dançarina, calçadas em meias pretas. Não é seu cabelo preso, ora com flor, ora com fita. O que faz de um tango um tango não é o chapéu antigo do dançarino. Não são os seus sapatos lustrosos. Não é seu terno de risca-de-giz. Não é seu lenço dobrado no bolso da lapela. O que faz de um tango um tango não é Buenos Aires. Não é qualquer geografia. O tango não está no mundo das latitudes, das longitudes, das cartografias, dos guias turísticos.
O que faz de um tango um tango é a atração e repulsa. É a tentação e o medo. É o afeto e a raiva. O que faz de um tango um tango é ela seguindo na mesma direção dele, e ele seguindo na mesma direção dela, até que um tenta fugir e o outro tenta impedir, numa alternância de fugas que se querem e não se querem. O que faz de um tango um tango é a dor de um e de outro transformada em coreografia simétrica. O que faz de um tango um tango é o encontro que se desencontra e se reencontra. O que faz de um tango um tango são os volteios do amor que bebe no prazer e na fúria. Os volteios do amor que se amorna e logo torna a incandescer. O que faz de um tango um tango é o amor que, na iminência de um final que se pronuncia infeliz, acha o final feliz. Porque nunca em um tango que é tango os dançarinos terminam separados, descolados, deslocados.
O que faz de um tango um tango sou eu dentro de você na carne e você dentro de mim na alma, depois do último acorde, depois do último aplauso, depois da última lágrima, depois do último gozo. O que faz de um tango um tango é a música que se quer silêncio. O silêncio dos amantes.
Mario Sabino
O que faz de um tango um tango é a atração e repulsa. É a tentação e o medo. É o afeto e a raiva. O que faz de um tango um tango é ela seguindo na mesma direção dele, e ele seguindo na mesma direção dela, até que um tenta fugir e o outro tenta impedir, numa alternância de fugas que se querem e não se querem. O que faz de um tango um tango é a dor de um e de outro transformada em coreografia simétrica. O que faz de um tango um tango é o encontro que se desencontra e se reencontra. O que faz de um tango um tango são os volteios do amor que bebe no prazer e na fúria. Os volteios do amor que se amorna e logo torna a incandescer. O que faz de um tango um tango é o amor que, na iminência de um final que se pronuncia infeliz, acha o final feliz. Porque nunca em um tango que é tango os dançarinos terminam separados, descolados, deslocados.
O que faz de um tango um tango sou eu dentro de você na carne e você dentro de mim na alma, depois do último acorde, depois do último aplauso, depois da última lágrima, depois do último gozo. O que faz de um tango um tango é a música que se quer silêncio. O silêncio dos amantes.
Mario Sabino
terça-feira, 7 de setembro de 2010
Título:...............(Se possível, dado por você)
Ele avança dois passos
E olha pra cima
Debaixo percebe que em cima está diferente
E a este evento
Ele chamou: Arte
Tudo era suficientemente novo para que ele pudesse questionar o que para ele era inquestionável diante das experiências vividas até ali que é onde ele quis sempre estar atento a todas as transformações que para ele não eram somente nomes
Num surto de ansiedade
A cabeça ele coçou
E mais uma vez tentou olhar para cima/ Que ainda estava diferente/ Ainda chamava de arte
E olha pra cima
Debaixo percebe que em cima está diferente
E a este evento
Ele chamou: Arte
Tudo era suficientemente novo para que ele pudesse questionar o que para ele era inquestionável diante das experiências vividas até ali que é onde ele quis sempre estar atento a todas as transformações que para ele não eram somente nomes
Num surto de ansiedade
A cabeça ele coçou
E mais uma vez tentou olhar para cima/ Que ainda estava diferente/ Ainda chamava de arte
?
Então decidiu compartilhar a sua descoberta
com todos aqueles que já haviam dito
que haviam descoberto o que ele decidira
compartilhar e todas essas questões ele projetou
didaticamente na parede e no papel e todos
aqueles que já haviam dito que haviam
descoberto que ele decidira compartilhar
amassaram suas projeções e continuaram a fazer o que haviam dito que haviam decoberto
E mais uma vez
Num surto de ansiedade
A cabeça ele coçou
Ele olha para cima
E percebe que o cima sempre estará diferente
Do cima que ele olhava antes
E percebe também
Que o cima diferente para ele não é igual para aqueles que já haviam dito que era diferente
Então decidiu não mais compartilhar a sua descoberta com todos aqueles que já haviam dito que haviam descoberto o que ele não decidira mais compartilhar
E depois dos dois passos avançados/ Do cima não mais compartilhado
Num surto de ansiedade
A cabeça ele coçou
E a esse evento
Ele também chamou: Arte
quinta-feira, 2 de setembro de 2010
(este não é um título direcionador de olhares.)
- Olá, posso trabalhar no seu discurso?
- E quanto eu te pagaria?
- O suficiente pra que eu possa abandonar o remo e mergulhar nessa mentira.
- Tudo bem, mas eu não penso mais em você.
- E se você chorasse?
- Tampouco. Há reservatórios esperando pelo blues mais blue escorrer, e no entanto eu ainda não consegui parar de dançar.
- Nossa. Eu não esperava por isso; bastava uma resposta constrangedora...
- Para mim ou pra você?
- Tanto faz, contanto que alguém se machuque e vá logo pra casa.
- Fiz o melhor que pude.
- Você está sonhando...
- Isso eu não posso. Se ao menos meus sapatos parassem de dançar...
- Ai!
- O que foi?
- Um poema.
- E daí?
- Você não percebe? Eu acabo de pisar num poema amassado e...
- Sim, mas eu não pude imaginar o quanto isso seria pesado pra você.
- POR mim.
- Que seja. De qualquer maneira, me desculpe, mas o poema vai continuar aí. Não é meu.
- Não importa. A dor do tombo é maior do que a vontade de rir da testemunha. Vou embora.
- Não me surpreende.
- Não te previ.
- Não te interessa.
- Não me abandone.
- Não me subestime.
- Não me surpreenda.
- Não se esqueça.
- Não se interesse.
- Ok. Eu venci.
- Eu também.
- E quanto eu te pagaria?
- O suficiente pra que eu possa abandonar o remo e mergulhar nessa mentira.
- Tudo bem, mas eu não penso mais em você.
- E se você chorasse?
- Tampouco. Há reservatórios esperando pelo blues mais blue escorrer, e no entanto eu ainda não consegui parar de dançar.
- Nossa. Eu não esperava por isso; bastava uma resposta constrangedora...
- Para mim ou pra você?
- Tanto faz, contanto que alguém se machuque e vá logo pra casa.
- Fiz o melhor que pude.
- Você está sonhando...
- Isso eu não posso. Se ao menos meus sapatos parassem de dançar...
- Ai!
- O que foi?
- Um poema.
- E daí?
- Você não percebe? Eu acabo de pisar num poema amassado e...
- Sim, mas eu não pude imaginar o quanto isso seria pesado pra você.
- POR mim.
- Que seja. De qualquer maneira, me desculpe, mas o poema vai continuar aí. Não é meu.
- Não importa. A dor do tombo é maior do que a vontade de rir da testemunha. Vou embora.
- Não me surpreende.
- Não te previ.
- Não te interessa.
- Não me abandone.
- Não me subestime.
- Não me surpreenda.
- Não se esqueça.
- Não se interesse.
- Ok. Eu venci.
- Eu também.
em relação a:
estado de espírito,
exorcismo,
machado e sândalo
terça-feira, 31 de agosto de 2010
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