Mostrando postagens com marcador machado e sândalo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador machado e sândalo. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

How It Would Be If It Was

You: How do you feel?
Me: Feel what? What am I supposed to feel?
You: You're alive, dear. You're expected to feel something, at least.
Me: Right. So what do you feel?
You: That wasn't my question.
Me: But it's mine.
You: You'll never tell me, will you?
Me: Never is a promise.
You: I feel I'm in love with you.
Me: I'm not feeling too bad.

terça-feira, 22 de maio de 2012

Eu queria demais lembrar quem era esse sujeito.

PROCURA-SE

aquele novo sorriso de dedos ágeis
afagáveis,
os olhinhos apertados de pouca barba,
a magreza simpática de cabelos em desordem.

não faço por inteiro
não obtenho o todo
optei involuntariamente pela caça às migalhas
pelas meias-palavras
por cabeças sem pés.

e se eu os posso completar
cabe ao meio saber.

06/10/2010

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

(este não é um título direcionador de olhares.)

- Olá, posso trabalhar no seu discurso?

- E quanto eu te pagaria?

- O suficiente pra que eu possa abandonar o remo e mergulhar nessa mentira.

- Tudo bem, mas eu não penso mais em você.

- E se você chorasse?

- Tampouco. Há reservatórios esperando pelo blues mais blue escorrer, e no entanto eu ainda não consegui parar de dançar.

- Nossa. Eu não esperava por isso; bastava uma resposta constrangedora...

- Para mim ou pra você?

- Tanto faz, contanto que alguém se machuque e vá logo pra casa.

- Fiz o melhor que pude.

- Você está sonhando...

- Isso eu não posso. Se ao menos meus sapatos parassem de dançar...

- Ai!

- O que foi?

- Um poema.

- E daí?

- Você não percebe? Eu acabo de pisar num poema amassado e...

- Sim, mas eu não pude imaginar o quanto isso seria pesado pra você.

- POR mim.

- Que seja. De qualquer maneira, me desculpe, mas o poema vai continuar aí. Não é meu.

- Não importa. A dor do tombo é maior do que a vontade de rir da testemunha. Vou embora.

- Não me surpreende.

- Não te previ.

- Não te interessa.

- Não me abandone.

- Não me subestime.

- Não me surpreenda.

- Não se esqueça.

- Não se interesse.

- Ok. Eu venci.

- Eu também.

domingo, 25 de julho de 2010

- sobre o que fica no braseiro de um encontro

Saudade do que eu seria se não fosse por você.

(Uma sensação de nostalgia amarrada à ausência de ocasionalidades. O acaso chegou a me abandonar durante um tempo, ou eu o abandonei... Remorso de personalidade. Fúria. Paciência.)

Eu sou uma pessoa, sou essa pessoa, e nessa tentativa de autoafirmação sinto que mantenho comigo as marcas de ferro quente que o outro (que compreende uma quantidade infinita de indivíduos) faz em mim, muitas vezes só por sorrir e acenar ou por atirar um ou outro gesto de indelicadeza. E o outro é uma pessoa, é aquela pessoa, e somos eus e outros os pontos de intersecção da maior teia do mundo. Mas não é aqui que eu quero chegar.

Somos tocados uns pelos outros, e tocamos uns aos outros o tempo todo, num movimento injusto, porque nos falta percepção e sensibilidade (ou seria coragem?) para tocar e ser tocado. Uma vez acariciei e levei uma escarrada. Outra vez fui beijada e dei um soco. Há-braços que ferem.

E essa dinâmica ora me enche os olhos, ora me aborrece e frustra, como se estivesse vendo as coisas pela primeira vez. As coisas, porque são muitas.

Quando não nos vale o toque, o contato, jogamos fora? Nem sempre o que não nos vale não nos afeta; afinal, quando tocamos as coisas, espalhamos nossas digitais, e uma vez que o ferro quente nos marca a pele, a cicatriz não sairá mais. E enxergar essa dinâmica como algo mágico ou poético é só uma questão de perspectiva. É quase aqui que eu queria chegar.

Muitos dos meus hábitos, gostos e repetições são marcas de ferro quente ou digitais que me foram depositadas. Palavras são desnecessárias (acho que acabo de me desmoralizar a favor de uma música que TOCA). Há coisas que não compreendemos logo, assim, de cara, mas chega um momento em que se pode ver que há uma saída. Pois há a saída de equiparar um encontro 'eu-outro' com a relação 'autor-obra': o proceso "nascimento - amor - morte".

Pisamos num determinado espaço (pois basta um passo à frente para não estar no mesmo lugar), nascendo assim na vida do outro e o outro na nossa, e sofremos qualquer tipo de afetação através do toque, direto ou indireto, estabelecendo eventualmente uma espécie qualquer de relação entre a gente - como a relação do amor do autor pela sua obra -, e o fim é a morte de um para o outro. PARA o outro. Sim, nós continuamos existindo após o final de cada encontro, mesmo que só pra nós mesmos. Era mais simples chegar onde eu queria.

No final das contas, essa dinâmica toda fica em cada brasa dos ferros quentes, em cada sintoma de representação, em cada problemática e ponto de intersecção dessa grande teia. Sem determinação, garantia, contrato, certeza.

Eu sou essa pessoa, você é essa pessoa, e eu sinto falta da falta do nosso encontro.

Talvez nunca chegue onde queria chegar.